“Qual o Melhor Bairro para se Hospedar em Belo Horizonte?”: Uma Análise sobre Persona e Posicionamento

A minha prima mais nova, a fazer 25 anos, decidiu comemorar com uma viagem a BH com as amigas. A responsabilidade, claro, caiu no meu colo. “Lena, qual o melhor bairro para se hospedar em Belo Horizonte?“, perguntou ela numa chamada de vídeo, a sua energia a vibrar através do ecrã. A minha resposta automática seria “Lourdes”, o meu bairro, um lugar que eu adoro, elegante, tranquilo, cheio de bons restaurantes. Mas hesitei. Seria o melhor bairro para ela?
Uma jovem de 25 anos, a querer agito, bares, uma vida noturna vibrante… Lourdes não seria a resposta certa. Talvez a Savassi, ou Santa Tereza. E se fosse um casal mais velho a procurar cultura? Talvez perto da Praça da Liberdade. E uma família com crianças? A região da Pampulha faria mais sentido.
Naquele momento, a planear o roteiro da minha prima, eu tive uma visão claríssima sobre um dos conceitos mais importantes do marketing: a persona. Não existe “o melhor bairro”. Existe o melhor bairro para um tipo específico de pessoa, com necessidades e desejos específicos. Tentar ser o melhor para todos é a receita para não ser ideal para ninguém.
Savassi, Lourdes ou Pampulha? A Resposta Certa Depende da Pergunta (e do Cliente)
Esta simples pergunta sobre bairros tornou-se uma poderosa metáfora para o meu próprio negócio. Durante muito tempo, eu tentei que a comunicação do meu escritório fosse “universal”, que agradasse a todos os tipos de potenciais clientes. O resultado era uma comunicação um pouco morna, sem grande personalidade.
O meu erro foi não ter definido claramente para quem eu queria falar. Quem é o meu cliente ideal? Qual a sua idade, a sua profissão, as suas angústias, os seus valores? É um jovem empresário a passar pelo primeiro divórcio? É uma matriarca preocupada com o planeamento da sua herança? A forma de falar com cada um deles é completamente diferente.
A busca por qual o melhor bairro para se hospedar em Belo Horizonte ensinou-me que eu precisava de escolher o “bairro” do meu escritório. Eu precisava de me posicionar. Decidi que o meu “bairro” era o da serenidade, da estratégia e da discrição. A minha comunicação passou a refletir isso. Não uso uma linguagem excessivamente “jovem” ou “descolada”. Uso um tom calmo, experiente e acolhedor. Com isso, eu naturalmente atraio os clientes que procuram este tipo de “hospedagem” jurídica e repilo os que procuram algo mais agressivo ou informal. E isso é ótimo.
O “Bairro” do seu Serviço: Como se Posicionar para a Persona Certa no Mundo Digital
A clareza sobre a minha “persona” tornou todas as minhas decisões de marketing mais fáceis.
A minha dica de ouro é: desenhe o seu cliente ideal numa folha de papel. Dê-lhe um nome, uma idade, uma profissão, medos e sonhos. Parece um exercício bobo, mas é transformador. Antes de escrever qualquer artigo ou aprovar qualquer anúncio, eu pergunto-me: “A ‘Sofia’, a minha persona, interessar-se-ia por isto? Esta linguagem conecta-se com ela?”.
A segunda dica é: o seu posicionamento é definido tanto por quem você serve como por quem você não serve. Não tenha medo de que o seu marketing “afaste” algumas pessoas. É suposto que o faça. Se você é um restaurante vegano, não se preocupa em agradar aos amantes de churrasco. Da mesma forma, se o seu método de trabalho é metódico e estratégico, não se preocupe em perder o cliente que procura uma solução “para ontem” a qualquer custo.
No final, recomendei que a minha prima ficasse na Savassi, e ela adorou. Eu continuei a morar e a trabalhar em Lourdes, e adoro. Não há um bairro melhor. Há apenas escolhas diferentes para pessoas diferentes. E assumir a sua escolha, o seu “bairro”, é o primeiro passo para atrair os “vizinhos” certos para o seu negócio.