“Dicas de Marketing para Instagram”: A Minha Luta para Ser “Postável” sem Perder a Sobriedade
Se há um campo de batalha onde eu realmente temi pela dignidade da minha profissão, foi o Instagram. Quando a minha agência me disse que precisávamos de ter uma presença “ativa e estratégica” lá, a minha mente foi inundada por imagens de terror: advogados a apontar para caixinhas de perguntas, a fazer “reels” com músicas da moda, a usar filtros que suavizavam mais do que apenas as rugas. Eu via aquilo e sentia um arrepio. A minha busca por dicas de marketing para Instagram era, na verdade, uma busca por sobrevivência: como existir naquele ambiente sem sacrificar a sobriedade que a advocacia exige?
O Instagram parecia-me um lugar de aparências, de felicidade fabricada e de pouca profundidade. Um lugar onde o cheiro do meu café e dos meus livros antigos seria ofuscado pelo brilho dos ecrãs. Como poderia eu, que lido com os momentos mais frágeis e dolorosos da vida das pessoas, partilhar algo ali que fosse, ao mesmo tempo, respeitoso, útil e… “postável”?
A minha resistência inicial foi enorme. Vetei as primeiras dez ideias de posts. “Muito informal”, “muito pessoal”, “isto não é relevante”. Eu estava a tentar encaixar o meu mundo formal num formato que é, por natureza, casual e visual. Era como tentar escrever uma petição numa série de fotografias. Não estava a funcionar.
Do Medo do “Mico” à Conexão Genuína: Como Encontrei a Voz do Meu Escritório no Instagram
O meu grande erro foi pensar que eu precisava de adotar a “linguagem do Instagram”. Eu não precisava. Eu precisava de adaptar a minha linguagem para o formato do Instagram. A virada de chave aconteceu quando a minha gestora de redes sociais, a Joana, me disse: “Helena, não pense em ‘posts’. Pense em ‘pílulas de confiança’. Pequenas doses de informação e humanidade que, juntas, constroem a mesma confiança que você constrói numa consulta de uma hora”.
Pílulas de confiança. Aquilo ficou a ressoar. Começámos a experimentar. Em vez de uma foto minha a sorrir, um post com um carrossel de imagens a explicar de forma simples “o que é a guarda partilhada?”. Em vez de um “bom dia” genérico, uma foto de um detalhe do meu escritório – a minha caneta preferida sobre um livro aberto – com uma reflexão sobre a importância do foco no trabalho.
Deixámos de procurar por dicas de marketing para Instagram que servissem para toda a gente e começámos a criar as nossas próprias regras. O nosso Instagram não seria sobre a minha vida, mas sobre a vida do meu escritório e, principalmente, sobre a vida do direito no quotidiano das pessoas.
O Filtro da Advocacia: O que Postar, o que Evitar e Como Transformar “Likes” em Confiança
Hoje, sinto-me confortável com o nosso perfil. Ele é uma extensão sóbria e elegante do meu escritório. E, mais importante, ele funciona. Clientes chegam até mim e dizem “Doutora, eu vi aquele seu post sobre planeamento sucessório e fez-me pensar…”. O “like” transformou-se em reflexão, e a reflexão em ação.
As minhas dicas para outros profissionais que partilham do meu receio são estas:
- Crie Linhas Editoriais Claras: Defina sobre o que você vai falar. As minhas são: a) “Direito em Miúdos” (explicar conceitos), b) “Bastidores da Advocacia” (mostrar o ambiente de trabalho, livros, sem expor casos) e c) “Reflexões” (conectar o Direito com valores e com o quotidiano). Ter este mapa impede-nos de nos perdermos.
- A Estética é a sua Toga Digital: A sua identidade visual importa, e muito. Use sempre a mesma paleta de cores, as mesmas fontes. Crie uma atmosfera visual que seja profissional e coerente. O seu feed é a primeira impressão que muitos terão de si. Faça com que ela seja impecável.
- Interaja com Sobriedade: Responda aos comentários e às mensagens diretas de forma profissional. Não dê consultas por DM, mas seja útil. “Obrigado pela sua pergunta. É um tema complexo. Se desejar, pode agendar uma consulta através do link na nossa bio para conversarmos com a devida atenção”.
O Instagram deixou de ser um campo de batalha e tornou-se um jardim. Um lugar onde eu planto pequenas sementes de informação e confiança,